A relação entre estabelecidos e
outsiders
Norbert Elias nasceu na cidade de
Breslau, em 1897, na antiga Alemanha. Atualmente a cidade chama-se Wroclaw e
fica na Polônia (mudança ocorrida depois da Segunda Guerra Mundial). Elias,
portanto, se considerava alemão e Breslau, uma cidade alemã; era filho de
judeus. Primeiro estudou Medicina, depois Filosofia e, por fim, interessou-se
pela Sociologia. Com os ânimos exaltados na Alemanha e a Segunda Guerra Mundial
quase começando, foi para a Inglaterra com medo das perseguições que já
ocorriam na Alemanha; seu primeiro livro foi publicado em 1938 e passou os
trinta anos seguintes esquecido; Elias viajou por vários países, tendo morado
até na África, onde lecionou na Universidade de Gana; ele sempre foi um outsider na Academia. Ou
seja, sofreu preconceito e só conseguiu o reconhecimento pela sua obra
tardiamente, quando beirava os setenta anos.
A introdução pode ser finalizada
com a afirmação de que não foi à toa que ele se interessou por tal tema, pois
também foi um outsider em alguns momentos de sua vida.
Publicado pela primeira vez em
1965, Os estabelecidos e os outsiders foi escrito em parceria com John L.
Scotson. Nele, Elias faz uma análise das tensões entre dois grupos na pequena
Winston Parva. A princípio, seu estudo era sobre os diferentes níveis de delinquência
encontrados entre o lado mais novo da cidade e o antigo. Mas, no decorrer da
pesquisa, ele mudou seu objeto para as relações entre os bairros. Sua decisão
de mudar de objeto se mostrou acertada
Pois as diferenças entre os
níveis de delinquência praticamente acabaram no terceiro ano da pesquisa. O
bairro mais antigo, contudo, continuava a ver a nova área como local de
delinquência. Elias verificou que naquela pequena localidade era possível
encontrar um tema universal: como um grupo estabelecido estigmatiza um outro
grupo tratando-o como outsider
O termo outsider não tem uma
tradução muito fácil para a língua portuguesa. Literalmente, significa “de
fora”, ou seja, alguém que veio de outro lugar e não é membro original de um
grupo, não se encaixa muito bem nele. Mas dizer em português que alguém é um
“de fora” soa um tanto estranho aos nossos ouvidos. É por isso que o termo não
é traduzido e usa-se a expressão em inglês. Na obra Os estabelecidos e os
outsiders, Norbert Elias aplica a categoria “outsider” para referir-se aos
habitantes mais novos de Winston Parva. No entanto, utiliza também para
designar de forma geral os grupos que detêm menos poder. Em contraposição à
categoria de “outsider”, Elias denomina os antigos moradores da cidade de “estabelecidos”,
que também aplica para designar os grupos que detêm mais poder.
Os estabelecidos consideram-se
humanamente superiores. Isto é, os grupos poderosos veem-se como pessoas
melhores. A inferioridade de poder é vista como inferioridade humana, e por isso
recusam-se a ter qualquer contato maior com os outsiders que não seja o
meramente profissional.
Isso ocorre porque os
estabelecidos acreditam que são dotados do que Elias chama de “uma espécie de
carisma grupal”, um tipo de qualidade que faltaria aos outsiders.
Tal relação entre estabelecidos e
outsiders normalmente é explicada como resultado de diferenças raciais, étnicas
ou religiosas, mas que em Winston Parva os grupos não diferiam entre si pela
nacionalidade, ascendência étnica, cor ou tipo de ocupação. Logo, o que estava
em jogo naquela pequena cidade e o que está em jogo numa relação entre
estabelecidos e outsiders não é a diferença de cor, religião, ou qualquer outra
entre os grupos, mas sim a diferença de poder.
No caso da cidade estudada por
Elias, a única diferença entre as duas áreas era o tempo de residência: um
grupo estava lá havia duas ou três gerações e o outro chegara recentemente. A
superioridade não tinha a ver com poder militar ou econômico, mas com o alto
grau de coesão das famílias (ELIAS; SCOTSON, 2000. p. 22).
Desta forma, eles conseguiam se
organizar para obter os melhores cargos nas organizações locais, como no
conselho, na escola e no clube e, assim, excluíam os outros que não tinham
coesão entre si. A coesão de um grupo está relacionada ao grau de integração do
grupo. Os moradores mais antigos eram, portanto, profundamente integrados.
Atividade.
Após a leitura do texto e das págs 76 e 77 (momento
7 e 8) do Caderno do aluno, fazer um texto dissertativo, registrando suas
considerações após as reflexões propostas.
- A atividade deve ser enviada para o email: odeniura@yahoo.com.br
- Fazer à caneta ou digitado.
- Não esqueçam de colocar nome e série.
Obs. As atividades postadas são para os alunos que ainda não as fizeram.
Qualquer dúvida, estou à disposição.
Beijocas!!!💗
Nil Pontes